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30-06-2017
Reunião aborda questões ligadas aos seniores

Ser sénior. Uma etapa na vida ou uma condição de vida? Que preocupações têm as pessoas que atingiram esta fase das suas vidas? Que cuidados devem ter? São ou não, podem ou não ser úteis? Questões e ideias que estiveram em cima da mesa de um encontro sénior que teve lugar no passado dia 10 de Junho, na Assembleia de Deus Pentecostal de Aveiro.

Depois de uma manhã, onde o louvor a Deus e a Palavra de Deus esteve presente, os cerca de 60 “jovens” puderam deliciar-se num almoço, proporcionado por um grupo liderado pela Irmã Alina Joana. Depois de almoço, Maria José Ferreira, enfermeira, abordou o tema da violência nos seniores. Um tema preocupante e fraturante. A clínica falou da violência psicológica e emocional que tem consequências na saúde física das pessoas. Lembrou que “a violência contra a pessoa idosa é um ato feito de forma deliberada, continuada e que acaba por levar a lesões físicas no corpo”. E, pela experiência que tem, como profissional de saúde, Maria José Ferreira alerta para um facto: “muitos dos que sofrem acham normal”. Mas, sublinhou, “não é normal nem Deus quer que soframos violência”.

Segundo os dados da APAV (Associação de Apoio à Vítima), entre 2000 e 2013, houve um aumento de 149 por cento de casos de violência contra idosos. Uma violência que pode tomar várias formas: física, psicológica, sexual, económica e financeira, abandono, negligência. A violência pode acontecer em instituições, no domicílio, na rua, na família. Uma violência que muitos idosos calam por vergonha ou solidão; muitas vezes o idoso está débil porque sofre de demência ou acha que não serve para nada.

Maria José Ferreira recordou que a violência não é um ato exclusivo de classes sociais mais desfavorecidas. Lembrou que é preciso combater o estigma associado à violência, bem como o mito, muito enraizado na cultura popular portuguesa: “entre marido e mulher ninguém mete a colher”. Pelo contrário, alertou para a necessidade de se estar atento aos sinais de violência e agir. “É um crime público e qualquer pessoa tem o dever e do direito de o denunciar”, declarou a enfermeira, frisando que “o silêncio facilitar a violência e protege o agressor”.

Alertas e realidades que Ana Ferreira, psicóloga, defendeu serem uma chamada de atenção importante para a população sénior. Dirigindo-se a este público, lançou uma questão – em tom de desafio: “ainda posso e quero ser útil?”. A psicóloga lembrou que esta os seniores “podem desfrutar desta fase da vida”. Apoiando-se em Lev 19:32 e em Salmos 92:12-15, Ana Ferreira sublinhou que é necessário “respeitar e honrar os mais velhos, pois ainda vão dar frutos”. Como podem, então, os seniores ser úteis? Podem “estimular o relacionamento com Deus”, assim como “ser exemplo de ânimo e alegria”, “exemplo de conduta”, ter “palavras de sabedoria”, aplicar “dons espirituais que são mais necessários” e “contribuir com o que têm”.

No final, entusiasmados, responderam à questão inicialmente colocada por Ana Ferreira: “ainda posso e quero ser útil”. Sem ponto de interrogação. Agora o tom foi de afirmação. Porque eles fazem parte, estão presentes e querem e podem ser úteis neste corpo que somos todos: a igreja de Deus.

O dia não poderia terminar sem um lanche, realizado pelo referido grupo de irmãs, tendo contado com o apoio de alguns jovens que estiveram presente para ajudar neste dia. Uma verdadeira união de gerações, entre jovens e seniores.